quinta-feira, agosto 24, 2006

Eh toiro lindo...


O meu último fim-de-semana foi passado em terras Ribatejanas. Portugal tão diferente: a paisagem, os cheiros, os sabores, as tradições. Um convite (muito surpreendente!) de véspera para ir passar uma noite original às festas de Samora Correia acabou por se transformar num fim-de-semana prolongado de 4 dias entre toiros,cavalos, boa comida e sobretudo boa gente. Ficámos hospedados ( nunca me senti hóspede mas quase da família!) na casa (vazia) de um senhor amigo e na mesma rua moravam as irmãs que nos trataram, a partir do primeiro minuto, de uma forma indescritível. Cama lavada, comida na mesa, vinho nos copos, boa conversa... A família juntava-se toda, nunca fomos menos de 12 pessoas às refeições. ( e mais a Maria, a cadela que foi conosco!)
Na primeira noite acabámos de jantar (uma mesa de carnes grelhadas, chouriços, queijos, presuntos, saladas, fruta e muuuuitos doces) e fomos ver a "quermesse", onde nos deliciámos na barraquinha das rifas, a gastar praí 10 euros em papelinhos enrolados a valer 10 cêntimos cada um. Saíram-nos uns bibelôs muito vunitos, uma manteigueira, uma t-shirt "Samora Correia", entre outros. Mas valeu pelo momento de suspense... Depois da emoção das rifas era hora da largada dos toiros (touros é só cá no Norte...) Toda a gente ( e quanta gente...) reunida na praça principal, o Largo do Calvário, e as ruas da vila cobertas de terra, e pontilhadas por grades feitas de madeira, chamadas "tronqueiras", que servem de esconderijo e ponto de fuga para quando o touro passa. São largados dois toiros de cada vez, um para as ruas e outro para o Largo e os bravos da terra andam a correr de um lado para o outro, metendo-se com o bicho que, de cornos afiados (não são cortados como nas touradas...) impõe mesmo Muito respeito. Depois de algum tempo, estes touros são retirados por um grupo de vacas e cavaleiros e dali a uns minutos novos touros são largados. Isto dura até as 6 da manhã. E as pessoas não arredam pé. Jovens, menos jovens, homens, mulheres, tudo vibra com os toiros e com os corajosos que os enfrentam e que muitas vezes acabam a noite no hospital. Sim, porque não é brincadeira nenhuma levar com um corno numa perna ou levar "porrada" do boi contra uma tronqueira...
No dia seguinte, dormir até à uma da tarde, acordar com o almoço na mesa, voltar a dormir. Com quase 40 graus percebo os alentejanos por dormirem a sesta debaixo do chaparro... Um passeio até à Companhia das Lezírias e à casa de Johny Mendes, criador, tratador, cavaleiro de renome internacional, e um homem de grande valor. Decidimos ficar por mais um dia e à noite vamos à festa na praceta, onde se bebem uns finos e se ouve o Bonga, um grupo brasileiro e uma Banda Fora de Série. Aproveita-se para uns passinhos de dança com os meninos... Voltamos pra casa e ainda ficamos na conversa até de madrugada.
Segunda-feira, último dia das festas. Largada de touros de tarde e de noite. E ainda deu tempo para irmos ver uma tourada. Embora muita gente abomine, tenho que confessar que é um espectáculo giro. Os fatos, os cavalos lindos, a Fé e a Coragem daqueles homens, frente-a-frente com um animal de 600 e tal quilos, acabadinho de sair dos pastos. O meu bravo aos forcados, homens de fibra assim há poucos.
Foi um fim-de-semana giro, diferente de tudo a que estava habituada, com amigos novos e muito porreiros, e com muito mimo à mistura... Obrigada pelo convite, gente!
Próxima paragem: Golegã...

1 comentário:

Rainha das cores disse...

nem me acredito nestas tuas manias da tourada!!! nem vamos por estes assuntos ok? nao, nao me consegues convencer! :P