sábado, janeiro 20, 2007

Despenalização Sim; Hipocrisia Não

Como sabem, no próximo dia 11 de Fevereiro, vai ser realizado (novo) referendo acerca da despenalização do aborto.
Depois de saber que um padre ameaçou de excomunhão todos os cristãos que votarem sim no referendo, achei que podia, neste meu modesto espaço de confissão, ter alguma coisa a dizer:
O aborto clandestino existe e é o último recurso para milhares de mulheres em cada ano.
O aborto clandestino e inseguro põe em causa a saúde e a vida das mulheres. Ao contrário da IVG segura, no aborto clandestino está ausente o acompanhamento e aconselhamento sobre a vida sexual e reprodutiva das mulheres, por exemplo sobre métodos contraceptivos e planeamento familiar.
O Código Penal considera o aborto como um crime, punido com pena de prisão até 3 anos, mas a sociedade portuguesa não considera criminosas as mulheres que abortam. A criminalização das mulheres é injusta e desadequada. As mulheres são sujeitas a perícias médicas, a investigações sobre a sua vida, a dos seus familiares e à exposição pública da sua intimidade. Sucedem-se os julgamento e as condenações.
Porquê manter uma lei que ninguém quer que se seja aplicada?
É preciso mudar a Lei.
A actual lei não prevê as principais razões que levam as mulheres a interromper uma gravidez não desejada - falha de contraceptivos, razões sócio-económicas, entre outras.
É uma lei vergonhosa, desadequada e injusta que criminaliza as mulheres e Portugal é um dos poucos países europeu a mantê-la.
A criminalização pena nunca dissuadiu as mulheres da prática do aborto, sempre que o consideram absolutamente necessário, pelo contrário, empurra-as para a clandestinidade, insegurança e perigo para a sua saúde.
Manter a actual é alimentar o negócio do aborto clandestino.
O aborto em condições precárias põe em perigo a vida de um grande número de mulheres, principalmente as mais jovens e mais pobres, e representa um problema de saúde pública.
As mulheres põem em perigo a sua saúde e podem morrer em resultado de um aborto clandestino e inseguro. A infertilidade é um risco real.
Os custos de internamento para tratar as complicações do aborto clandestino e inseguro são muito superiores aos de uma interrupção da gravidez num estabelecimento de saúde legalmente autorizado.
Por favor. Ninguém é a favor do aborto, ninguém acorda de manhã e diz "Hoje apetece-me, depois do pequeno-almoço, fazer um aborto". Nenhuma mulher o faz sem qualquer tipo de sofrimento. Muito menos gosta de o fazer e encara tal situação como uma forma de prevenção. Este referendo não diz "Mulheres portuguesas, abortem!"Ele apenas deixa de o condenar, de o considerar um crime. Vamos deixar de ser hipócritas e abrir os olhos ao que se passa à nossa volta. O aborto ilegal existe. Muitas mulheres o fazem, sempre fizeram e vão continuar a fazer. Aquilo que se propõe é que deixe de ser alcançável - em condições de segurança - apenas por uma percentagem da população com mais recursos económicos. SIM à prevenção. SIM a uma educação sexual nas escolas. SIM à distribuição gratuita e acessível de preservativos e pílulas contraceptivas. SIM à escolha possível. SIM a um Portugal melhor.
Alguns links:

1 comentário:

Anónimo disse...

tens o meu apoio a 100% =D